quinta-feira, 15 de outubro de 2026

É bom lembrar

Já vi posts excelentes falando sobre política. Eu queria assinar debaixo de todos os que vi até então, no próprio entreblogs por exemplo, teve vários. 

Estamos nos aproximando de tempos complicados. Daqui a dez dias é o segundo turno das eleições, e estou esperando que tudo pode acontecer. Até então a esquerda está sofrendo certa censura das redes sociais, principalmente a Meta. As pessoas foram às ruas, não só para protestar, mas também com uma forma de apelo. No momento, a mensagem que precisa ser transmitida é mais ou menos algo como "pense bem sobre sua decisão".

Uma coisa que se eu pudesse falar com todo mundo, independente se pobre ou rico, trabalhador de carteira assinada, empresário ou MEI, é o seguinte: Apoiar alguém que ameaça acabar com direitos sociais, é lutar contra seus próprios direitos.

Eu não quero entrar no mérito de fazer uma discussão sobre a sociedade enquanto comunidade. Eu, como uma pessoa de esquerda que sabe a posição privilegiada que está, eu não importo (e inclusive apoio) que meus impostos sejam usados para programas sociais. É um pacto coletivo.

Mas sei que tem gente que não pensa assim. E por mais que eu não entenda muito o lado deles, sei que alegam que é absurdo destinar uma parte do salário do próprio trabalho para alguém que você não conheça. Só que, eu queria apresentar apenas uma ideia, uma noção que sinto que está faltando às pessoas.

Vamos pensar que, não é porque eu preciso de um auxílio social atualmente, que significa que eu nunca vá precisar. A vida infelizmente dá reviravoltas, tragédias acontecem, problemas podem aparecer. Um dia você pode ter casa, comida e estabilidade, e em outro pode precisar de um Bolsa Família. Em um dia está tudo bem e em outro acontece um acidente grave e você depende de um BPC/LOAS. Em um dia você tem uma empresa e em outro a empresa quebra e você precisa voltar ao regime CLT. Um dia você pode não ter mais acesso a um plano de saúde e dependa do SUS. Eu falo que pagar impostos para programas de auxílio social é que nem pagar seguro de vida ou de carro. Você paga todo mês de bom grado, esperando não precisar usar.

Portanto, repito: lutar contra direitos sociais é lutar contra seus próprios direitos. Não importa em que lugar da sociedade você esteja. Não podemos prever o dia de amanhã.

Então, além do que todos já comentaram, eu apenas gostaria de acrescentar que as pessoas deveriam pensar duas vezes. Três. Quantas forem o necessário. Se elas tem realmente interesse em apoiar e votar em um candidato que está lutando contra seus próprios direitos. Porque mesmo que as vezes o pensamento coletivo soe abstrato demais para alguns, o mínimo que as pessoas poderiam pensar é em si mesmas. 

E na sociedade atual, pensar em si mesmo é a coisa mais fácil que existe.

Enfim, era apenas essa reflexão que eu queria fazer. Não sei se vai chegar em quem deveria, provavelmente não. 

Mas senti que precisava falar isso.

quarta-feira, 14 de outubro de 2026

Tema de Outubro: Infância, para olhar o mundo com olhos de criança

Falar sobre memórias de infância enquanto adulto é sempre algo que demanda um pouco de reflexão. Pois, enquanto crianças, nosso mundo é pequeno. Nosso entendimento é limitado. Então, acredito eu, temos uma tendência a construir nossas memórias dentro desse pequeno mundo. Porém, depois de adultos, onde já temos algum repertório de vida e uma visão diferente das coisas, ao revisitar essas memórias, acabamos por reavaliar esses acontecimentos, agora sem a ótica infantil. E é daí que surge a reflexão. 

Se eu pudesse falar sobre minha infância, eu diria que ela foi boa, apesar de alguns contratempos. Eu consigo perceber quais traços de mim, enquanto adulta, foram formados nessa idade. Tanto as qualidades quanto os defeitos. Eu lembro de muitas coisas com carinho e nostalgia, enquanto outras eu lembro com amargor. 

Daí então, eu queria refletir e comentar sobre as coisas da infância que sei que permaneceram comigo até hoje. 

Imaginação e inventividade: Eu sempre fui uma criança/adolescente que gostava de criar histórias, situações e personagens. Desde pequena eu gosto de escrever e transformar sentimentos em narrativas. E até hoje isso permanece, quando me pego imaginando personagens e histórias. Escrever narrativas também é um hobbie que conservo até hoje.

Dificuldade de lidar com ciclos longos: Como passei a maior parte da minha infância/adolescência acompanhando o emprego do meu pai, me mudei muito de cidade e casa. Consequentemente os meus ciclos em uma mesma escola ou em um mesmo local foram muito curtos, de um a dois anos. Antigamente, não tínhamos tecnologia igual hoje para se manter a comunicação, então não tenho amizades de longa data. Atualmente, para mim, é difícil a ideia de um ciclo longo. Um emprego que se mantém por mais de dois anos, uma casa que você vive por cinco anos. Um ciclo longo sempre me causa inquietação, uma sensação que estou parada no tempo. Porém, de uns tempos para cá, eu venho tentado trabalhar melhor sobre isso.

Desafiadora: Meu pai sempre dizia que eu era "desafiadora". Eu sempre retrucava e debatia e discutia. E até hoje sou assim. Pra mim é difícil me adaptar com coisas consolidadas "porque sim". Eu preciso ver sentido em algo que estou fazendo, se não me parece perda de tempo. E normalmente, isso leva a discussões e readaptações. Isso não me torna insuscetível a opiniões alheias, mas eu gosto sempre de entender o porquê da opinião existir e avaliar se é algo que me convém absorver.

Curiosidade: Sempre fui muito curiosa. Eu gosto de informações aleatórias sobre assuntos variados, gosto de entender e aprender como as coisas funcionam, mesmo que seja algo nada a ver com a minha vida, gosto de ouvir o que as pessoas tem a dizer. Gosto de me questionar perguntas que não tem resposta definida, gosto de imaginar o que se passa dentro da cabeça/universo de alguém. E isso é algo que é preservado desde criança. Na infância, isso tende a se tornar uma inconveniência para os pais, principalmente quando envolve perguntas indiscretas. Hoje em dia, dependendo do assunto, eu preciso manter a discrição. Mas a curiosidade permanece.

Talvez tenham mais coisas que não pude citar aqui, mas posso dizer que definitivamente são várias. E aí é onde eu vou falar sobre o primeiro desafio do tema:

Quando é que deixamos de ser crianças?

Me questionar sobre como responderia esse desafio, enquanto me preparava para escrever este post, que me levou a essa reflexão das coisas que eu escrevi aqui sobre minha infância. Porque me questionei, quando foi que eu deixei de ser criança? Foi quando comecei a trabalhar? Quando comecei a ter autonomia e responsabilidades?

E a conclusão que cheguei que talvez a vida seja uma eterna árvore de habilidades, como um jogo. Que você começa de baixo, e depois vai crescendo e ramificando em direções diferentes, porém a raiz está sempre lá, na base. Não importa pra quão longe seus galhos se espalhem, a raiz permanece.

E talvez seja isso. Talvez eu nunca tenha deixado de ser criança. Eu talvez seja praticamente a mesma Niara, porém com mais "habilidades". Elas existem simultaneamente, uma sendo continuação de outra. Eu adulta tenho responsabilidades diferentes, em níveis diferentes, e a medida que vou desbloqueando "habilidades", vou adquirindo novas missões e responsabilidades. Algumas coisas da base já não fazem mais sentido no nível que estou. Mas a fundação, essa sempre será a mesma.

Quanto ao segundo desafio:

Escolher uma brincadeira da infância e transformar numa proposta para adultos.

A minha brincadeira favorita enquanto criança, era imaginar. Sentada no carro olhando pela janela, em casa, andando na rua. Eu sempre gostava de imaginar coisas acontecendo e histórias. Me perdia muito nas minhas narrativas, que me envolviam ou não. 

A proposta seria, nunca perder isso. Se permitir imaginar coisas, situações, acontecimentos. Coisas divertidas ou trágicas, histórias sobre você e sobre os outros. Se permitir imaginar, para não se perder na frieza da realidade.

Créditos da Imagem: ❤

terça-feira, 13 de outubro de 2026

Aqui é o meio termo...

... entre o que eu sou e o que eu me sinto confortável em mostrar para as pessoas. 

Esse é um projeto novo, e eu não sei muito bem o que esperar dele ou o que fazer dele. Eu vou confessar que tenho um blog pessoal fechado, no qual eu escrevo todas as coisas que estão na minha cabeça. Desde opiniões, a críticas, a comentários aleatórios do cotidiano, a coisas que estou assistindo. Enfim, é um espaço muito pessoal, o qual não tenho muita disposição para receber ninguém. 

Estou contando isso, pois recentemente encontrei uma comunidade ativa de blog. E me vi muito inclinada a participar, contribuir e fazer parte. Mas participar com meu blog é a mesma coisa que entregar Meu Querido Diário para ser lido para um auditório de 1003 pessoas, e eu obviamente não queria isso. E foi daí que surgiu o Conforme o Inesperado.

Aqui, eu pretendo fazer posts diversos. As vezes falando sobre a vida pessoal, as vezes debatendo sobre um assunto importante. Como eu disse, não sei ao certo, estou construindo esse espaço aos poucos.

Espero que dê tudo certo. Que tudo corra conforme o inesperado.

Créditos de imagem: ❤